Diálogos entre sonoridades modernas e antigas
como Aylton Escobar constrói texturas densas a partir de sonoridades litúrgicas antigas na Missa Orbis Factor
Palavras-chave:
Missa, Liturgia, Coro, Música Sacra, Análise musicalResumo
A Missa Orbis Factor (1969) de Aylton Escobar (1934-) foi vencedora do prêmio do público e do júri no 2º Festival de Música de Guanabara em 1970, com estética bastante experimental, estruturada por texturas densas e dissonantes. O objetivo do presente trabalho é relacionar as sonoridades dessa obra com as sonoridades da música sacra antiga, especificamente dos períodos medieval e renascentista. A partir de uma revisão das principais sonoridades da música litúrgica desses períodos, como cantochão, recitativos, organum, motetos e madrigais, os quatro movimentos da Missa Orbis Factor foram analisados com base na construção de suas sonoridades e como elas se relacionam às sonoridades antigas. Escobar parte de sonoridades simples como o recto tonos para construir texturas complexas. Uma longa seção inspirada na antífona estrutura o movimento Gloria. O movimento Sanctus-Benedictus apresenta caráter ora imitativo, ora como organum. O último movimento, Agnus Dei, introduz um trecho de poesia de Mário de Andrade, relacionando esse movimento ao moteto. Conclui-se que, embora a sonoridade da Missa Orbis pareça distante da sonoridade litúrgica tradicional, sua linguagem proporciona não uma ruptura, mas sim uma continuação e extrapolação das sonoridades antigas.