Laboratório da música cigana:
a resistência musical entre o biopoder e a escuta
Palavras-chave:
Música romani, Ibermúsicas, Audiotatilidade, Etnomusicologia participativa, EmpregabilidadeResumo
Este trabalho apresenta os procedimentos e resultados parciais do “Laboratório da Música Cigana”, uma residência de pesquisa-ação realizada em Braga (Portugal) ao longo de 2025 por quatro pesquisadores brasileiros, com apoio do edital Ibermúsicas e da “Agência do Bem”. A proposta adota os preceitos da etnomusicologia dialógica para investigar as dimensões da práxis musical e as demandas de empregabilidade da comunidade romani local, observando como as mediações culturais transformam as práticas de pesquisa. As dinâmicas socioculturais da investigação culminaram em um workshop colaborativo sediado no Human Power Hub e na performance compartilhada da canção "Não ao Racismo", do compositor romani local, Raspa. O arcabouço teórico articula a desconstrução historiográfica da música romani (Piotrowska, 2013), as perspectivas organológicas de trânsito instrumental na diáspora (Sinclair, 1908) e as formulações da Teoria das Músicas Audiotáteis (Caporaletti, 2005), tensionando novas epistemologias da escuta. Metodologicamente, a pesquisa de campo quanti-qualitativa problematiza a bionecropolítica urbana e os pilares de identificação étnica. A análise estrutural e interpretativa da obra revela como os processos de transmissão oral, os marcadores identitários institucionais consolidados desde o Congresso Mundial Romani de 1971 e a manifestação de um fazer audiotátil atuam como vetores de resistência contra a violência institucionalizada, potencializando a emergência de subjetividades dotadas de agência estética e reflexiva. Os resultados demonstram que as ações pedagógicas da Agência do Bem e do projeto Nómada desafiam o anticiganismo histórico e o hiato político, ressignificando a prática criativa e a escuta mútua como espaços de inclusão social e de fomento à empregabilidade.