Práxis Sonora no Maracatu de Baque Solto

encruzilhadas entre Bigidi e Aquilombamento

Autores

  • Igor Cavalcante de Sá UFPB/SEE-PE

Palavras-chave:

Maracatu de Baque Solto, Aquilombamento, Bigidi, Práxis sonora

Resumo

Na região da Zona da Mata, em Pernambuco, historicamente marcada pela monocultura da cana-de-açúcar e pela exploração do trabalho, o Maracatu de Baque Solto surge não apenas como uma expressão estética, mas como uma poderosa tecnologia social de “Aquilombamento”, hipótese deste trabalho. Esta pesquisa de doutorado em fase inicial investiga como a prática sonora e corporal do Maracatu de Baque Solto atua como resposta a conflitos de poder, reorganizando comunidades por meio de laços de solidariedade e agência política, a partir da metodologia de Pesquisa-ação Participativa (Cambria; Fonseca; Guazina, 2016; Fals Borda, 2016), Segundo Beatriz Nascimento (2018) o Quilombo representa um sistema social alternativo, uma forma de organização empreendida por pessoas negras, focada na unidade e na necessidade humana de se organizar fora da estrutura colonial opressiva. Observamos que a Práxis-sonora do Maracatu de Baque Solto cria um marcador acústico que evidencia a presença e confronta o silenciamento imposto às populações subalternizadas da Zona da Mata de Pernambuco. Por fim, examinamos o Maracatu de Baque solto a partir da lente conceitual de Bigidi (Blou, 2021) — a habilidade de manter o equilíbrio na instabilidade e a resposta corporal ao conflito: a capacidade de balançar, esquivar-se e suportar o peso das vestimentas (e da opressão) sem cair. Concluímos que o Maracatu atua para reconfigurar imaginários e sustentar futuros possíveis, onde o corpo lúdico é simultaneamente um arquivo vivo de lutas passadas e um manifesto de reexistência. 

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Publicado

2026-10-24

Como Citar

Cavalcante de Sá, I. (2026). Práxis Sonora no Maracatu de Baque Solto: encruzilhadas entre Bigidi e Aquilombamento. ANPPOM. Recuperado de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/1062

Edição

Subáreas

ST-16. Música e Pensamento Afrodiaspórico

Formatos