O tango (choro) como passaporte sonoro da modernidade negra

Autores

  • Welissa Carvalho UFMG

Palavras-chave:

racialização sonora, taxonomia musical, choro e samba, tango brasileiro, musica afro-diasporica

Resumo

A designação variável dos gêneros choro, samba, maxixe e tango na documentação musical de Salvador durante a Primeira República (1889–1930) sugere tensões entre a racialização sonora e a projeção mercadológica na nomeação dessas práticas. A partir dessa hipótese, o objetivo deste trabalho consiste em mapear indícios dessa hibridização terminológica, avaliando em que medida pressões mercadológicas e editoriais forjadas no contexto carioca poderiam ter moldado esse efeito. Como procedimento metodológico, realiza-se um levantamento que abrange fontes musicográficas, fonográficas e hemerográficas do período, sistematizadas em um quadro comparativo que expõe as variações nominais de uma mesma obra, ou o uso de denominações híbridas como "tango (choro)”, “tango-maxixe” e “maxixe-choro”. Os resultados apontam que essa oscilação funcionava como ferramenta de inserção sociocultural e sobrevivência econômica, demonstrando que o rótulo “tango” operou como uma espécie de disfarce, atenuando resistências do mercado e viabilizando a circulação de repertórios de matriz africana em ambientes controlados. Assim, compositores, copistas e editores baianos exerciam uma clara agência política, manejando estrategicamente as taxonomias musicais mercadológicas para negociar espaços dentro de um projeto modernizador excludente.

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Publicado

2026-10-24

Como Citar

Carvalho, W. (2026). O tango (choro) como passaporte sonoro da modernidade negra . ANPPOM. Recuperado de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/1078

Edição

Subáreas

ST-6. Choro em foco: educação, acervos e performance em perspectiva patrimonial

Formatos