Ecossistemas do som e suas modulações
percepções acústicas nas paisagens sonoras
Resumo
O presente artigo propõe uma abordagem sistêmica e transversal do som, compreendendo-o não apenas como fenômeno auditivo, mas como espaço habitável e constituinte neurobiológico e cultural fundamental. O objetivo é redimensionar o contexto da escuta e atribuir um caráter preservacionista às sonoridades. Tratando-se de uma pesquisa qualitativa, tangenciando uma revisão integrativa, apoiando-se em uma base teórico-metodológica multidisciplinar que articula neurociência, ecologia acústica e ecomusicologia. Com a menção de um exemplo de estudo de campo em contexto amazônico, a pesquisa traz algumas informações representativas, demonstrando que as vibrações sonoras atravessam os indivíduos de forma fisiológica, influenciando diretamente o sistema límbico e promovendo processos de sincronização e arrastamento (entrainment). Ademais, constata-se que, no imaginário amazônico, a taxonomia dos ecossistemas sonoros é ressignificada, onde estímulos puramente biológicos recebem contornos culturais profundos. Assim, conclui-se que a paisagem sonora transcende as propriedades ecológicas, atuando como um verdadeiro arquivo de afetos capaz de restituir memórias, culminando em uma "acústica do pertencimento". Diante da crise de percepção ambiental e da poluição sonora contemporânea, defende-se a urgência do manejo sustentável e do registro desse patrimônio através de bibliotecas sonoras, assegurando que a identidade territorial, que soa como a exata reverberação do meio, seja salvaguardada para as futuras gerações.
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