A voz da esquina:
fluência, idiomatismo e interpretação na 8ª valsa de Francisco Mignone
Palavras-chave:
Francisco Mignone, Idiomatismo, ViolãoResumo
O projeto aborda possibilidades de interpretação aplicadas a 8ª Valsa Brasileira em forma de estudos para violão, de Francisco Mignone, baseando-se no confronto com outras valsas do compositor — as 12 Valsas de Esquina, para piano — em articulação com outras valsas brasileiras do período, a fim de consubstanciar uma proposta interpretativa que consiga transpor, do piano para o violão, a expressividade característica obtida ao piano. O estudo fundamenta-se na análise comparativa de gravações de Mignone e de Arthur Moreira Lima, com ênfase em parâmetros interpretativos como agógica, andamento, articulação, dinâmica e eventuais desvios textuais em relação à partitura. A investigação parte da hipótese de que a construção do sentido musical na performance resulta de uma interação não hierárquica entre texto, tradição estilística e agência do intérprete. Observa-se que, embora distintos em suas estratégias interpretativas, ambos os pianistas convergem na produção de uma fluência discursiva orientada pela retórica da valsa brasileira. A partir dessa observação, propõe-se uma transposição crítica de tais procedimentos interpretativos ao violão, considerando as restrições idiomáticas do instrumento como variável estruturante da realização musical. Argumenta-se que tais restrições afetam diretamente a continuidade discursiva e a liberdade agógica, podendo ser parcialmente mitigadas por meio de estratégias técnico-interpretativas como re-digitação, reconfiguração da articulação e flexibilização agógica fundamentada.