A singularidade de Laercio Vilar
vanguarda, resistência e a estética do free-jazz na bateria belo-horizontina
Palavras-chave:
Laercio Vilar, free-jazz, bateriaResumo
Este artigo investiga a trajetória artística e a performance musical do baterista belo-horizontino Laercio Vilar, reconhecido como o pioneiro do free-jazz em Belo Horizonte. A partir de uma abordagem qualitativa que articula história oral, análise de performance e o conceito de autonotação, o trabalho resgata o papel de Vilar como agente de ruptura estética e resistência política. São discutidos temas como sua transição de sideman para protagonista, os códigos expressivos de sua prática — como o comando "Parte!" — e as interseções entre a vanguarda musical, a exploração laboral do "operário sonoro", o racismo estrutural e os processos históricos de desafricanização da música brasileira. Os resultados evidenciam que a atuação de Vilar operou como uma ferramenta de rebeldia decolonial, consolidando uma linguagem melódico-percussiva singular baseada em frases, gestos e levadas características de Vilar.