Entre a Memória e a Reexistência
ancestralidade, filosofia Ubuntu, emancipação feminina e resistência cultural nos textos musicais da Beauty Sitoye
Palavras-chave:
Mbira em Moçambique, Textos musicais, Ancestralidade, Ubuntu, Resistência culturalResumo
O artigo analisa as representações de ancestralidade, filosofia Ubuntu, emancipação feminina e resistência cultural presentes nas músicas Ubuntu, Famba Kaya, Maliana e Melodia, da artista moçambicana Beauty Sitoye, ligada à tradição musical da mbira. Parte-se do pressuposto de que os textos musicais africanos constituem importantes espaços de produção de sabedoria, valorização da memória coletiva e afirmação identitária. O estudo tem como objetivo analisar como essas composições mobilizam saberes culturais africanos e contribuem para os processos de reexistência cultural no contexto moçambicano contemporâneo. Teoricamente, a pesquisa fundamenta-se nos estudos culturais africanos, nos estudos pós-coloniais e nas perspectivas decoloniais, dialogando com autores como Ki-Zerbo, Wa Thiong’o, Nketia, Berliner, Bhabha e Said. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e documental, além de observação participante das performances da artista. A análise dos dados foi realizada por meio de análise de conteúdo. Os resultados revelam que as músicas de Beauty vão além da dimensão estética, desempenhando funções educativas, identitárias e políticas. Suas composições valorizam a filosofia Ubuntu como princípio de solidariedade comunitária, promovem o reencontro com a ancestralidade africana, questionam estruturas patriarcais que limitam a participação das mulheres e defendem a valorização da mbira e de outros patrimônios culturais africanos. Conclui-se que a produção musical da artista constitui uma prática de reexistência cultural, por meio da qual memória, língua, identidade e resistência se articulam para valorizar os saberes africanos e fortalecer a consciência cultural moçambicana.