O que esperar das aulas de musicalização infantil do meu bebê? Expectativa e engajamento dos cuidadores de bebês inseridos em aulas de musicalização e desenvolvimento de habilidades dos bebês de até dois anos: uma revisão narrativa
Resumo
As aulas de musicalização destinadas a bebês de até dois anos têm se expandido de forma expressiva nos últimos anos, mobilizando o interesse de cuidadores, professores de música e pesquisadores do desenvolvimento infantil. Este artigo tem por objetivo realizar uma revisão narrativa da literatura sobre as expectativas de cuidadores ao matricular bebês em programas de musicalização, o papel do engajamento adulto durante as aulas e as habilidades que os bebês desenvolvem nesse contexto. Discute-se, ainda, o propósito pedagógico que orienta a prática do professor de música infantil. O estudo ancora-se na Teoria da Aprendizagem Musical de Edwin Gordon (1997), que fundamenta o conceito de audiação e os processos de desenvolvimento musical na primeira infância, e nas contribuições de François Delalande (1984) sobre as condutas musicais infantis como formas legítimas de expressão e conhecimento. Articulam-se, ainda, os referenciais de Brito (2003) sobre musicalização na educação infantil e os estudos de Ilari (2002; 2016) acerca da parentalidade musical e do neurodesenvolvimento. Foram realizadas buscas em bases de dados nacionais e internacionais, entre os anos 2000 e 2025. Os resultados apontam que as motivações parentais são predominantemente extra musicais, centradas em socialização, vínculo afetivo e estimulação global. O engajamento do cuidador durante as aulas emerge como variável determinante para o aproveitamento do bebê. Os professores, por sua vez, atuam com objetivos que integram desenvolvimento musical, linguístico, motor, sócio-emocional e relacional. A convergência entre expectativas familiares e propósitos docentes representa um campo fértil para investigação e para a formação de professores de música.