Amazônia paraense sampleada
o entrelaçar de narrativas, paisagens e cultura digital
Palavras-chave:
Cultura, território, Música, Sample, ReexistênciaResumo
Este trabalho propõe uma reflexão sobre a musicalidade amazônica contemporânea a partir da análise do episódio “Sampleados Ribeirinhos”, da web-série Sampleados. A produção utiliza o sampleamento como prática estético-política de reexistência, articulando sons, imagens e narrativas que ressignificam o cotidiano ribeirinho em linguagem digital e afetiva. A pesquisa adota abordagem qualitativa de natureza teórico-interpretativa, fundamentada na etnomusicologia, nos estudos culturais e nas epistemologias decoloniais, associada à etnografia virtual dos comentários publicados no YouTube. O episódio analisado é compreendido como cartografia sonora onde práticas tradicionais, como o carimbó, dialogam com recursos da cultura digital para construir sentidos de pertencimento, ancestralidade e resistência simbólica. A análise da recepção evidencia um engajamento afetivo por parte do público, especialmente marcado pela memória de Léo Platô, produtor da série. Os comentários revelam sentimentos de luto, orgulho local, valorização cultural e desejo de acesso, indicando a web-série como potente dispositivo de mediação e mobilização coletiva. O estudo mostra que a estética do sample remixa tempos, corpos e territórios, transformando a música em linguagem de insurgência e cuidado. Assim, a produção e sua recepção configuram uma escuta política que reposiciona a Amazônia Paraense como paisagem sonora viva, periférica e insurgente.
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