O apagamento da gorda e lésbica Tuca
Interseccionalidade e trajetória de artistas e obras marginalizados/as na história da música popular
Palavras-chave:
Música popular brasileira, Interseccionalidade, Historiografia, Gênero, LGBTResumo
A presente comunicação visa discutir o apagamento da cantora, compositora e instrumentista Tuca na história da música popular brasileira, a partir do olhar interseccional. Inicialmente, realizamos aproximações entre a historiografia, a sociologia da arte e o conceito multidisciplinar da interseccionalidade, estabelecendo parâmetros teórico-metodológicos para uma leitura sensível dos marcadores sociais na construção e na trajetória social de artistas e obras. Na sequência, sublinhamos passagens da biografia de Tuca a partir de três categorias de análise, a saber: gênero, sexualidade e corpo. Como resultados, destacamos como o apagamento de Tuca, em parte, foi resultado das interrelações entre as categorias “mulher”, “gorda” e “lésbica” e os sistemas de legitimação e consagração da música popular.
Downloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Editora Jandaíra, 2020.
BENJAMIN, Walter. Sobre o Conceito de História. In: BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios Sobre Literatura e História da Cultura. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. 7ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 222-234.
BOURDIEU, Pierre. As Regras da Arte: Gênese e Estrutura do Campo Literário. Lisboa: Editorial Presença, 1996.
COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo, 2021.
FAOUR, Rodrigo. História Sexual da MPB: a Evolução do Amor e do Sexo na Canção Brasileira. Rio de Janeiro: Record, 2006.
FLÉCHET, Anaïs. Madureira Chorou... em Paris: a Música Popular Brasileira na França do Século XX. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2017.
FOLHA DE SÃO PAULO, 24 de maio de 1978, p. 12.
FOLHA DE SÃO PAULO, 7 de junho de 1978, p. 29.
GONÇALVES, Renato. “L’homoérotisme féminin dans les chansons de Tuca (1971-1974) et son effacement dans l’histoire LGBT brésilienne”. Les Cahiers du CREPAL. Paris: Sorbonne Nouvelle, no prelo.
GONÇALVES, Renato. “O discurso homoerótico feminino na canção e a ditadura militar brasileira”. Revista Opiniães, n. 15, 2019.
GONÇALVES, Renato. Tuca: a cantora lésbica exilada da história. Uberlândia: O Sexo da Palavra, 2026.
HARDY, Françoise. Chansons Sur Toi et Nous. Paris: Éditions J’ai Lu, 2024a.
HARDY, Françoise. Le Désespoir des Singes et Autres Bagatelles. Paris: Éditions J’ai Lu, 2024b.
JORNAL DO BRASIL, 27 de novembro de 1973, p. 5.
MEDEIROS, Beatriz. SILVA, Melina Aparecida dos Santos. “O difícil nunca será estar e sim permanecer”: desafios e experiências das mulheres na produção musical brasileira. In: 34º ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 2025, Curitiba. Anais... Curitiba: Universidade Federal do Paraná (UFPR), 2025. p. 1-25. Disponível em: https://publicacoes.softaliza.com.br/compos2025/article/view/11241/7609. Acesso em: 10 de jun. 2026.
MELLO, Zuza Homem de. A Era dos Festivais: Uma Parábola. São Paulo: Ed. 34, 2003.
MOTT, Luiz. Xica Manicongo, a Primeira Transexual do Brasil. São Paulo: Cosac, 2026.
NEGREIROS, Adriana. Dercy: a Diva Debochada. São Paulo: Objetiva, 2026.
O GLOBO, 21 de maio de 1974, p. 29.
O GLOBO, 26 de maio de 1974, p. 11.
QUINALHA, Renan. Contra a Moral e os Bons Costumes: a Ditadura e a Repressão à Comunidade LGBT. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
QUINALHA, Renan. Dos Arquivos do Poder à Reparação Histórica. In: MOTT, Luiz. Xica Manicongo, a Primeira Transexual do Brasil. São Paulo: Cosac, 2026. p. 9-15.
REVISTA MANCHETE, 14 de janeiro de 1967, p. 88.
SIMIONI, Ana Paula Cavalcanti. Mulheres Modernistas: Estratégias de Consagração na Arte Brasileira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2022.
WOLF, Naomi. O Mito da Beleza: Como as Imagens de Beleza São Usadas Contra as Mulheres. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2020.