Vozes insurgentes

uma escuta da primeira encenação de Xica feita no Brasil pelo Coletivo Das Liliths

Autores

  • Herley Texeira Nunes UFBA
  • Georgenes Isaac Silva do Carmo Santos UFBA

Palavras-chave:

Xica Manicongo, Fabulação crítica, Teoria queer, Etnomusicologia, Coletivo das Liliths

Resumo

Este trabalho analisa a encenação da peça Xica, realizada pelo Coletivo Das Liliths, como um dispositivo de reexistência e resistência artística. O objetivo central é investigar como o teatro, ao ocupar o vazio dos arquivos coloniais, restitui à figura de Xica Manicongo reconhecida como uma das primeiras figuras travestis a deixar registros na história do Brasil. A base teórico-metodológica ancora-se nos conceitos de "fabulação crítica" de Saidiya Hartman e nas reflexões sobre corpo e memória de Leda Maria Martins, articulando essas premissas com a etnomusicologia para compreender as sonoridades diaspóricas e afrofuturistas presentes na montagem. Os resultados indicam que o espetáculo não apenas preenche as lacunas deixadas pela violência da Inquisição, mas converte o silenciamento histórico em um manifesto sonoro e performático. A encenação funciona como um espaço de produção de sentido, onde a musicalidade e a corporeidade das atuantes operam como episteme, permitindo a articulação de uma ancestralidade negra e queer. Conclui-se que narrativas como a de Xica são fundamentais para a reconstrução da identidade nacional, pois ao "imaginar" ancestrais, o coletivo rompe com o apagamento imposto pela heterocisnormatividade. O espetáculo transforma luto em luta, afirmando que a memória é um ato contínuo de resistência, garantindo que vozes antes silenciadas ocupem, doravante, o protagonismo na história brasileira.

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Referências

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Publicado

2026-10-21

Como Citar

Texeira Nunes, H., & Silva do Carmo Santos, G. I. (2026). Vozes insurgentes: uma escuta da primeira encenação de Xica feita no Brasil pelo Coletivo Das Liliths. ANPPOM. Recuperado de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/656

Edição

Subáreas

ST-7. Música, Corpo, Gênero, Sexualidade e Feminismos

Formatos