Entre a criação, o som e a escuta
uma abordagem tripartite da improvisação de mulheres na música popular brasileira instrumental
Palavras-chave:
Improvisação, improvisadoras, Música Popular Brasileira Instrumental, Fato musical, Modelo TripartiteResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre a atuação de mulheres improvisadoras na música popular brasileira instrumental, fundamentada no modelo tripartite da semiologia musical idealizado e desenvolvido por Jean Molino e Jean-Jacques Nattiez. Assumindo que o fato musical se constitui pelas dimensões poiética, neutra e estésica, argumenta-se que a improvisação feminina não pode ser entendida apenas como manifestação sonora ou como expressão individual, mas como fenômeno estético e social atravessado por relações de gênero, estruturas históricas e regimes de escuta. Apoiando-se em estudos feministas, semiológicos e sociomusicológicos, o artigo propõe uma abordagem analítica que integra criação, materialidade e significação, demonstrando como o modelo tripartite permite iluminar não apenas a estrutura dos improvisos, mas também os processos que condicionam sua emergência e sua recepção na cena musical contemporânea.
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