Uma visão introdutória da teoria analítica de James Tenney a partir de sua aplicação no op. 10, n. 2 de Anton Webern
Palavras-chave:
James Tenney, Análise musical, Escuta, Música contemporânea, Anton WebernResumo
Propomos com este artigo uma introdução à teoria analítica de James Tenney, como exposta em Meta-Hodos: A Phenomenology of 20th-Century Musical Materials and an Approach to Musical Form (1964), destacando seus fundamentos gestálticos aplicados à concepção da forma e escuta musical. O objetivo consiste em expor os principais conceitos e ferramentas analíticas desenvolvidos por Tenney, bem como sugerir sua pertinência para a análise do repertório de concerto dos séculos XX e XXI. Partindo do diagnóstico de uma lacuna nas abordagens analíticas que privilegiam a dimensão da escuta na música contemporânea, situa-se a proposta de Tenney no âmbito da análise estésica indutiva intramusical, conforme a leitura dos co-autores das referenciais de Nattiez e Meyer. Como estudo de caso, realizamos a análise do início da Op. 10 n. 2 de Webern, a partir da escuta dos co-autores em diálogo com a análise proposta por Tenney em Meta-Hodos. Argumentamos, por fim, que o método de Tenney possibilita a partilha de diferentes trajetórias de escuta de uma mesma obra, permitindo explicitar os eventos sônicos que orientam a produção de sentido intramusical, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de abordagens analíticas do repertório contemporâneo centradas nesta modalidade de experiência auditiva.