Tocar é Saber
ancestralização e práticas musicais afro-diaspóricas como epistemologias encarnadas
Palavras-chave:
Ancestralização, Musipensar, Pedagogia decolonial, Fundamentos musicais, CandombléResumo
Este artigo discute a ancestralização como categoria político-epistêmica fundamental para compreender os modos de saber, ensinar e criar nas musicalidades afro-diaspóricas, com ênfase no candomblé. Com base no conceito de musipensar, articulado entre vivência ritual e reflexão acadêmica, propõe-se uma pedagogia enraizada na oralidade, corporeidade e temporalidade espiralar. Dispositivos como rodar a base são compreendidos como tecnologias composicionais de reinvenção com fundamento, que expressam uma epistemologia encarnada e relacional. A ancestralização é entendida como processo contínuo de atualização criativa, legitimada pela senioridade e pela escuta coletiva. O artigo aponta para a necessidade de uma pedagogia decolonial que reconheça os saberes dos tamboreros como formas legítimas de conhecimento e defende políticas de valorização dessas práticas e mestres.