Mulheres na música
a invisibilidade feminina no Departamento de Música da UFPB a partir da ótica de Bourdieu
Resumo
Este trabalho discute a invisibilidade feminina no Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba, refletindo sobre os desafios enfrentados por mulheres instrumentistas em sua formação acadêmica e participação nos grupos musicais da instituição. A pesquisa surgiu a partir do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado em 2025, e de discussões desenvolvidas em uma disciplina do mestrado sobre a temática de gênero e as contribuições de Pierre Bourdieu. O objetivo do estudo é compreender como as desigualdades de gênero se manifestam no contexto acadêmico-musical e de que forma influenciam a participação e o reconhecimento das mulheres instrumentistas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, baseada em revisão bibliográfica e na análise de experiências e percepções relacionadas ao ambiente estudado, também foram feitas entrevistas com duas participantes de grupos musicais da instituição. Sobre os grupos estudos, feito um levantamento de dados nos sites oficias do Departamento de Música da UFPB e do Departamento de Educação Musical, buscando compreender a concepção envolta dessas formações, como também como se dá a participação dos integrantes. A investigação evidenciou a predominância masculina nos conjuntos instrumentais e as limitações impostas às mulheres em termos de participação, reconhecimento e pertencimento. Para compreender essa realidade, o estudo fundamenta-se nos conceitos de campo, habitus e poder simbólico, desenvolvidos por Pierre Bourdieu. Esses conceitos permitem analisar como desigualdades de gênero são produzidas e reproduzidas no ambiente musical por meio de práticas e valores naturalizados. O habitus evidencia como expectativas e percepções sobre o “músico ideal” são socialmente construídas, enquanto o conceito de campo revela o espaço acadêmico-musical como um local de disputas por legitimidade e reconhecimento. Assim, a invisibilidade feminina não se manifesta apenas pela menor presença das mulheres em determinados espaços, mas também por mecanismos simbólicos que influenciam oportunidades, reconhecimento e participação, contribuindo para a manutenção das desigualdades de gênero no contexto do Departamento de Música da UFPB.
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