Pontos fortes e barreiras na formação musical inclusiva nos conservatórios estaduais de Minas Gerais
Palavras-chave:
Conservatórios de Minas Gerais, Formação musical inclusiva, Habitus conservatorial, Desenho universal para aprendizagemResumo
O objetivo deste artigo é analisar a percepção de professores e estudantes dos Conservatórios Estaduais de Minas Gerais (CEM) sobre a formação musical oferecida, a partir da compreensão de uma mediação pedagógica inclusiva que considera a diversidade de formas de aprender dos estudantes. Neste recorte, oriundo de pesquisa de doutorado finalizada, discute-se dados coletados por meio de grupos focais com os sujeitos investigados, buscando compreender a formação ofertada nessas instituições a partir de uma perspectiva inclusiva, fundamentada nos conceitos de habitus conservatorial e Desenho Universal para Aprendizagem (DUA). Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo e organizados em três pontos fortes e três barreiras à formação musical inclusiva. Os resultados indicam avanços significativos expressos na: dedicação docente, na qualidade da relação professor-aluno, no acolhimento institucional, no acesso democrático, na valorização da diversidade cultural e nas práticas musicais coletivas. Em contrapartida, identificam-se barreiras relacionadas à precariedade de infraestrutura, à resistência cultural e ideológica e à rigidez metodológica e curricular. Esses achados apontam para a necessidade de construção progressiva de uma cultura institucional em que múltiplas formas de fazer, aprender e ensinar música sejam reconhecidas e integradas ao currículo desde o início como elementos legítimos e não meramente toleradas como exceções às margens da norma.