Preservação, estruturação, circulação e permanência cultural: mediação digital e organização do conhecimento no patrimônio histórico-musical baiano
Palavras-chave:
Patrimônio histórico-musical baiano, Salvaguarda, Organização do conhecimento, Mediação digital, Permanência culturalResumo
Este trabalho examina a salvaguarda do patrimônio histórico-musical baiano a partir do hiato entre preservação documental e presença pública: obras documentadas em acervos que permanecem inacessíveis à escuta e ao reconhecimento social. O objetivo é demonstrar como um ciclo articulado de preservação, estruturação, circulação e permanência — apoiado na mediação digital e na organização do conhecimento — amplia os instrumentos da musicologia patrimonial sem substituí-los. Dois casos do mesmo contexto institucional, o Conservatório (1897) e o Instituto de Música da Bahia (1918), sustentam a análise: Remígio Domenech, primeiro diretor técnico do Conservatório, e Zulmira Silvany, compositora, educadora e mobilizadora cultural reduzida nas fontes a “subdiretora”. A fundamentação articula a musicologia patrimonial brasileira (Castagna, Sotuyo Blanco, Cotta) com a memória cultural (Assmann), o circuito de comunicação (Darnton, Chartier), a circulação como valor (Appadurai) e a cibercultura (Lévy). A estruturação ampara-se em padrões do patrimônio musical digital (CIDOC-CRM, Music Ontology, FRBRoo/DOREMUS, RISM, MEI, IIIF, MusicBrainz, Wikidata), com implementação preliminar verificável em JSON-LD/Schema.org. Os resultados indicam, no caso Domenech, indício preliminar de descobribilidade pública; e, em Zulmira Silvany, a atualização da função social de obra latente pelo registro sonoro de Uma tarde na Tijuca. Discutem-se dimensões éticas, legais, de governança e de sustentabilidade, e conclui-se que permanência cultural é produto de ciclo ativo de salvaguarda — não efeito automático da preservação.