Trap e Educação Musical
: contribuições das aprendizagens de artistas do estado do Rio de Janeiro para práticas pedagógicas fundamentadas na aprendizagem musical informal
Palavras-chave:
Educação Musical, Trap, Aprendizagem informal, Educação Básica.Resumo
O presente trabalho apresenta um recorte dos resultados de uma dissertação de mestrado que investigou o gênero musical Trap e suas possíveis contribuições para a Educação Básica. Tomando como referência os estudos de Lucy Green (2012) e Flávia Narita Motoyama (2015) sobre aprendizagem musical informal, a pesquisa buscou identificar práticas e processos de aprendizagem presentes no universo do Trap que possam dialogar com contextos escolares. A investigação foi desenvolvida por meio de uma metodologia de estudo de casos múltiplos, envolvendo entrevistas semiestruturadas com três artistas do gênero atuantes no Estado do Rio de Janeiro (RJ). Os resultados evidenciaram que aspectos extramusicais relacionados às experiências de vida, às vivências sociais e aos projetos de ascensão social do artista exercem papel central nos processos de composição e criação musical. Os entrevistados relataram que suas decisões criativas são frequentemente orientadas por uma escuta intuitiva, construída a partir de suas experiências culturais e de sua inserção no contexto do gênero, mais do que por conhecimentos musicais formalmente sistematizados. Conclui-se que os processos de aprendizagem observados apresentam aproximações significativas com os princípios da aprendizagem musical informal descritos por Green (2012). Além disso, os resultados apontam para possibilidades pedagógicas alinhadas à perspectiva de Educação Musical Libertadora proposta por Narita (2015), na medida em que valorizam os universos musicais dos estudantes, suas experiências culturais e seus modos próprios de construção de conhecimento musical.