Fidelidade ao texto versus reelaboração idiomática

uma análise de duas reelaborações para piano do Estudo No. 6 para violão de Heitor Villa-Lobos

Autores

  • Luca Maestri Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Luiz Mantovani Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Zamith Universidade do Estado de Santa Catarina

Palavras-chave:

Reelaboração musical, Transcrição, Arranjo, Adaptação idiomática, piano

Resumo

Partindo das práticas de reelaboração musical definidas por Pereira (2011), este trabalho investiga os procedimentos empregados pelos pianistas José Vieira Brandão e Julija Bal em suas reelaborações para piano do Estudo n. º 6 para violão de Heitor Villa-Lobos, integrante da coleção Doze Estudos para Violão (1929). A pesquisa busca compreender em que medida essas versões mantêm fidelidade ao texto original e de que forma os reelaboradores realizam adaptações idiomáticas, a partir de uma análise comparativa entre as soluções encontradas por ambos. Os resultados indicam que ambas as versões configuram soluções híbridas entre transcrição e arranjo, combinando momentos de maior proximidade ao texto original e intervenções em aspectos estruturais e ferramentais da obra, com o objetivo de explorar as potencialidades do piano. Embora partam do mesmo material de origem, Vieira Brandão e Bal adotam estratégias distintas de reelaboração, produzindo novas leituras que refletem suas respectivas concepções musicais e experiências pianísticas.

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Biografia do Autor

Luiz Mantovani, Universidade do Estado de Santa Catarina

O violonista brasileiro Luiz Mantovani construiu uma próspera carreira internacional que combina com sucesso performance, ensino e pesquisa. Entre os destaques das últimas temporadas, estão um programa inteiramente dedicado a Villa-Lobos no Festival Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, e um filme-performance da Sonata em Mi Maior nº 2 de Rebay na Abadia de Heiligenkreuz, na Áustria, financiado pela Fundação Hermann Hauser para Violão e lançado pela GuitarCoop. Colaborações regulares com compositores contemporâneos resultaram em inúmeras encomendas e estreias ao longo das últimas duas décadas, incluindo obras solo, música de câmara e dois concertos para violão e orquestra.

Vencedor de vários concursos em seu país natal, Luiz também conquistou importantes prêmios internacionais, como o Schadt String Competition (1999), o BMOP Concerto Competition (2001) e o Pro Musicis International Award (2002). Este último lhe rendeu apresentações solo no Carnegie Hall, em Nova York, e na Salle Cortot, em Paris, entre outros. Em uma dessas ocasiões, o The New York Times elogiou sua interpretação das Cinco Bagatelas de William Walton como “poderosa, belamente estruturada e praticamente impecável”.

Músico de câmara dedicado, foi membro do Quarteto Brasileiro de Violões por 11 anos, com o qual se apresentou extensivamente em quatro continentes. Com o QGV, Luiz gravou três álbuns para a Delos International. O segundo deles, Brazilian Guitar Quartet plays Villa-Lobos , recebeu o Grammy Latino em 2011 na categoria “Melhor Álbum Clássico”. Também colaborou com a violonista alemã Nelly von Alven no Duo de Violões NOVA, resultando em dois álbuns para o selo italiano Stradivarius: Sortilegios (2019) e Journey (2022).

Luiz Mantovani é doutor pelo Royal College of Music de Londres, onde pesquisou as sonatas de câmara do compositor vienense Ferdinand Rebay. Considerado um dos maiores especialistas em Rebay, foi agraciado com o prêmio de Melhor Artigo em 2022 pela Musicologica Austriaca , revista da Sociedade Austríaca de Musicologia. Suas publicações incluem um verbete no Grove Music Online e diversos artigos em periódicos com revisão por pares. Luiz foi o primeiro violonista a receber o prestigioso Diploma de Artista do New England Conservatory of Music de Boston. Ele também possui mestrado em Música pelo NEC e bacharelado em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seus mentores no violão foram David Leisner, Nicolas Barros e Antonio Guedes.

Desde 2003, Luiz Mantovani é professor da Universidade Estadual de Santa Catarina – UDESC, em Florianópolis, no sul do Brasil. Como membro fundador do programa de violão da UDESC, ele tem preparado com sucesso alunos para concursos e para a continuidade de seus estudos no exterior, além de envolver ativamente sua turma na comunidade local. Além de lecionar na universidade, Luiz é frequentemente convidado para ministrar masterclasses e palestras internacionalmente.

Zamith, Universidade do Estado de Santa Catarina

É doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2013), mestre em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (2000) e bacharel em Música com Habilitação em Instrumento (piano) pela Universidade de São Paulo (1995) . É professor efetivo da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Atua na área de Música, com ênfase em Piano.

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Publicado

2026-10-24

Como Citar

Maestri, L., Mantovani, L., & Zamith, M. (2026). Fidelidade ao texto versus reelaboração idiomática: uma análise de duas reelaborações para piano do Estudo No. 6 para violão de Heitor Villa-Lobos. ANPPOM. Recuperado de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/1009

Edição

Subáreas

SA-5. Performance Musical

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