Beat Assemblage

pensando-em-ritmo na música eletrônica

Autores

Palavras-chave:

Pensamento-sônico, Assemblage, Música eletrônica, ritmo, Não-musicologia

Resumo

Este artigo propõe o conceito de beat assemblage como um operador analítico e modo de escuta genérico para a música eletrônica. Apoiando-se na ontologia de forças vibratórias de Steve Goodman e na não-musicologia de Achim Szepanski, o trabalho contesta dois paradigmas antropocêntricos tradicionais da musicologia: a premissa de que a produção em estúdio ocorre em tempo diferido ("não real") e o fetiche da linearidade do gesto sonoro, difundido pela espectromorfologia de Denis Smalley. Através da planificação rítmica do processo de produção da música eletrônica, demonstra-se que a prática de estúdio opera uma escuta ativa e sob a lógica do "sampleamento-em-última-instância". Diante da operação anti-fenomenológica das máquinas, a linearidade temporal (início-desenvolvimento-fim) é suplantada por uma temporalidade espacial e cronomorfada, articulada verticalmente através de cliques e cortes. O beat assemblage consolida uma ficção sônica não-antropocêntrica na qual a agência maquínica torna-se propositiva e a prática eletrônica é emancipada dos modelos analíticos da música de concerto.

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Biografia do Autor

Bruno Castro da Cunha, Universidade de Brasília

Atua como professor temporário no departamento de música da UnB. Doutorando em música pela UnB sob a orientação de Flavio Santos Pereira. Possui Bacharel em Composição Musical pela UnB, Brasília, sob a orientação de Flavio Santos Pereira e Sérgio Nogueira. Possui Mestrado em Composição de Música Eletroacústica pela Academy of Performing Arts in Prague (AMU), República Tcheca, sob a orientação de Michal Rataj com a tese "Transtextuality in Contemporary Music: A Materialistic Approach". Estudou com compositores como Anders Flodin, Flo Menezes, John Richards, Pierre Alexandre Tremblay, Patricia Alessandrini, Leigh Landy, Tatiana Catanzaro, Silvio Ferraz, Jan Trojan, Slavomír Horinka, Pavel Zlámal, entre outros. Sua música já foi tocada no Brasil, Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Itália, México, República Tcheca e Suécia. Já colaborou com artistas e grupos como Ensemble 10/10 (Inglaterra), Martin Adámek (Ensemble Intercontemporain), FAMA Quartet (República Tcheca), Ensemble Terrible (República Tcheca), Musikspektra T. (Suécia), Taverna Maderna (Itália), John Richards (Dirty Electronics), Oliver Torr, Max Wainwright, Miroslav Tóth, Martin Ozvold, entre outros. Atua como compositor, performer (clarinete e flauta doce), programador musical e engenheiro de áudio, onde sua principal produção artística é centrada em improvisação musical com o uso de eletrônicos. Sua produção aborda tópicos em mídia, espectrologia (hauntology), ecologia sonora e pensamento sônico (sonic thinking). De 2017 a 2018 Integrou o grupo internacional de pesquisa HERA SoundMe no projeto Minulost v Dnesku / The Presence of The Past como compositor e pesquisador artístico, onde produziu a obra Amour and Sieben Cabeças para grupo de câmara e eletrônicos. Foi bolsista no Musitec 2 - 2o seminário de música e tecnologia: invenção musical e ambientes de programação, com o projeto "O Espaço Ecoa" (2020). Realizou a palestra "Space ecoes like an immense tomb: an ecological approach towards telematic improvisation" com Kino Lopes no Simpósio internacional Open Wide organizado pela FMT society de 2021. Sua obra Contrappunto Dialettico Abaporu foi premiada em 2021 na XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea, Funarte; e suas músicas eletrônicas reúnem diversos prêmios internacionais. Como diretor musical, já colaborou com grupos de dança contemporânea como Projeto PÉS e stroMY (República Tcheca). Como improvisador musical, já participou de diversos festivais, concertos, gravações e projetos para rádio. Recentemente colaborou com John Richards (Dirty Electronics) e Oliver Torr no álbum Piu Hiway, lançado em 2023 pelo selo Mille Plateaux.

Flávio Santos Pereira, Universidade de Brasília

Graduou-se em Composição e Regência pela Universidade de Brasília (1988), sob a orientação do Prof.Dr. Claudio Santoro. Obteve o título de Mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília (1999) com a defesa da tese ''Hierarquia, Prestígio e Poder de Influência na Música Erudita'', sob a orientação do Prof.Dr. Wilson Trajano Filho. Obteve o título de Doutor em Composição Musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2012), sob a orientação do Prof. Dr. Celso Giannetti Loureiro Chaves, com bolsa concedida pelo CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. É professor efetivo da Universidade de Brasília desde 1991. É líder do grupo de pesquisa Processos de Criação em Música. 

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Publicado

2026-10-24

Como Citar

Castro da Cunha, B., & Santos Pereira, F. (2026). Beat Assemblage: pensando-em-ritmo na música eletrônica. ANPPOM. Recuperado de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/1020

Edição

Subáreas

SA-1. Composição e Sonologia

Formatos