Beat Assemblage
pensando-em-ritmo na música eletrônica
Keywords:
Pensamento-sônico, Assemblage, Música eletrônica, ritmo, Não-musicologiaAbstract
Este artigo propõe o conceito de beat assemblage como um operador analítico e modo de escuta genérico para a música eletrônica. Apoiando-se na ontologia de forças vibratórias de Steve Goodman e na não-musicologia de Achim Szepanski, o trabalho contesta dois paradigmas antropocêntricos tradicionais da musicologia: a premissa de que a produção em estúdio ocorre em tempo diferido ("não real") e o fetiche da linearidade do gesto sonoro, difundido pela espectromorfologia de Denis Smalley. Através da planificação rítmica do processo de produção da música eletrônica, demonstra-se que a prática de estúdio opera uma escuta ativa e sob a lógica do "sampleamento-em-última-instância". Diante da operação anti-fenomenológica das máquinas, a linearidade temporal (início-desenvolvimento-fim) é suplantada por uma temporalidade espacial e cronomorfada, articulada verticalmente através de cliques e cortes. O beat assemblage consolida uma ficção sônica não-antropocêntrica na qual a agência maquínica torna-se propositiva e a prática eletrônica é emancipada dos modelos analíticos da música de concerto.