Da imaginação ao gesto
aproximações entre a ecologia sonora e a performance musical
Palavras-chave:
Ecologia Sonora, Performance musical, Improvisação musical, arte sonora, ecossistemas de performanceResumo
O artigo propõe um reposicionamento da prática performativa musical a partir da valorização da imaginação e da escuta, articulando referências da ecologia sonora e da filosofia da imagem. Propõe-se um crítica a abordagens interpretativas centradas na dicotomia entre sujeito (intérprete) e objeto (música), compreendendo essa relação a partir de um paradigma ecológico, definido o meio sonoro como imagem relacional entre os entes expressivos. Com base em autores como Susanne Langer, Richard Schechner, Erika Fischer-Lichte e Eugenio Barba, o texto defende que o performer não apenas executa, mas cria mundos sensíveis. A noção de milieu (meio) sonoro, desenvolvida por Makis Solomos a partir de Gilbert Simondon, em contato com as três ecologias de Félix Guattari, é central para compreender a performance como co-produção entre corpo, som e ambiente. A teoria da imagem de Gilbert Simondon, com suas quatro fases — motora, perceptiva, simbólica e inventiva —, oferece fundamentos para pensar a imaginação como motor de invenção no processo performativo. Por fim, o conceito de acoustinaire, de Roberto Barbanti, e a ideia de sonic thinking, de Salomé Voegelin, consolidam uma concepção da escuta como prática estética, epistêmica e ética, fundamental para a emergência de uma performance musical sensível, política e inventiva.