Ensino superior em música
ingresso, permanência e formação de um discente autista
Abstract
Este artigo analisa o processo de democratização do acesso e as dinâmicas de permanência e formação de um discente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Curso de Licenciatura Plena em Música. O objetivo do estudo é contribuir com a literatura da área ao apontar as possíveis lacunas na educação musical no ensino superior, investigando as barreiras atitudinais e os anseios de conhecimento a partir da escuta de um egresso. Teoricamente, a discussão ancora-se nas perspectivas de Baptista e Jesus (2009) sobre os avanços nas políticas de inclusão, bem como nas reflexões de Rocha e Lima (2018) acerca da desmistificação do sentido de inclusão no ensino superior. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, fundamentada nos pressupostos de Yin, amparada em análise documental e relatos de experiência sob as perspectivas da gestão, da docência especializada e do discente. O estudo problematiza as barreiras do sistema de seleção unificado (ENEM) em contraste com a eficácia de processos seletivos especiais fundamentados em políticas de equidade. Os resultados evidenciam que, embora houvesse amplo suporte institucional da administração superior, emergiram barreiras pedagógicas e atitudinais em disciplinas de caráter eminentemente textual. Em contrapartida, o desempenho do discente em componentes práticos de complexidade, demonstrou o potencial das metodologias ativas e da linguagem musical como mediadoras de inclusão. Conclui-se que a inclusão plena exige não apenas a garantia da vaga, mas a formação continuada do corpo docente e a flexibilização curricular, visando superar modelos normativos de avaliação