Entre idas e vindas, o “protagonismo negro” do cavaquinista Nelson Alves nas décadas de 1920 à 1930.
Abstract
Este artigo analisa a trajetória de Nelson dos Santos Alves (Nelson Alves), cavaquinista e compositor negro de fundamental relevância para a música popular brasileira, cuja produção integra uma pesquisa de doutoramento em andamento. Suas composições surgem na década de 1910, no período das gravações fonográficas mecânicas. Anos mais tarde, outra de suas obras, “Me deixa, serpentina” (1923), integrou o "repertório vendaval" do conjunto Os Oito Batutas, com o qual o músico excursionou pelo Brasil, França e Argentina. Embora a bibliografia periférica aponte sua atuação assídua e pioneira no registro do cavaquinho na fonografia, a historiografia musical tradicional — construída por memorialistas, cronistas e historiadores — prioriza quase exclusivamente as figuras de Pixinguinha e Donga. Argumenta-se que essa lacuna distorce a realidade e obscurece as vivências das oito pessoas que compunham o aclamado octeto. Diante desse desconforto musicológico, o objetivo deste trabalho é tensionar tais silenciamentos e resgatar o protagonismo histórico do instrumentista. Metodologicamente, a pesquisa ancora-se no cruzamento de periódicos da Hemeroteca Digital Brasileira, fonogramas da plataforma Discografia Brasileira e literaturas correlatas ao período de atuação do grupo.