Lupi: um divisor de águas?
Reflexões etnomusicológicas sobre o sopapo, ancestralidade e Lupicínio Rodrigues
Keywords:
Etnomusicologia; Lupicínio Rodrigues; Canção Popular; Ancestralidade; Sopapo.Abstract
O presente artigo tem como objetivo a reflexão etnomusicológica através da pergunta: Lupicínio Rodrigues foi um divisor de águas para a canção porto-alegrense? Pretende-se realizar um panorama que recupera a ancestralidade do sopapo (ROSA, 2020), instrumento afro-gaúcho, para as práticas musicais locais, incluindo a canção de Lupicínio. Para isso, faz-se um levantamento bibliográfico das produções mais recentes sobre a obra de Lupicínio (SILVA, 2022). Através de reflexões etnomusicológicas e da análise de trajetórias artísticas de artistas gaúchos, como Luiza Hellena e Cigano (PARADA, 2024), o artigo busca compreender a importância de Lupicínio para a música de Porto Alegre, para além da figura do compositor de sucesso. Sua obra, que tem confluência com as vozes dos povos marginalizados e celebra a cultura negra, permanece viva e relevante, inspirando novas gerações de artistas e contribuindo para a construção de uma identidade musical afro-porto-alegrense. Propõe-se considerar a figura de Lupi como um catalisador de emoções que encorajou migrantes negros, artistas vindos do interior do estado do Rio Grande do Sul em busca de melhores condições para suas vidas e carreiras.