O som direto como elemento composicional sonoro no cinema paraibano:
contribuições para a escuta estética
Keywords:
Estudos do som, estética, Escuta, Paisagem sonora, Criação Sonora, Trilha sonoraAbstract
Este trabalho investiga o som direto como elemento composicional sonoro no cinema contemporâneo, com foco em produções paraibanas. A pesquisa parte da hipótese de que o som captado em tempo real pode desempenhar funções estéticas e narrativas autônomas, ultrapassando sua concepção tradicional como simples registro técnico. O objetivo é analisar como produtores locais têm mobilizado o som direto como linguagem sensível, contribuindo para a construção de atmosferas, significados e experiências sonoras no audiovisual. Metodologicamente, adota-se uma abordagem interpretativa, articulando revisão bibliográfica, escuta atenta e análise fílmica. O referencial teórico baseia-se em autores como Michel Chion, R. Murray Schafer, Brandon LaBelle, Walter Murch e David Sonnenschein, cujas contribuições ajudam a compreender as potências narrativas, espaciais e sensoriais do som. A análise de filmes como Majestic Hotel (2018), ap. 210 (2013), A Alma das Ruas (2013), Curió (2023) e O Hóspede (2018) revela o uso inventivo do som direto e de ruídos ambientes como estratégias na construção estética, com destaque para a valorização das ambiências reais, das falas espontâneas e dos silêncios capturados durante as filmagens. Conclui-se que o som direto, ao ser apropriado de forma criativa, adquire um papel composicional que desloca as fronteiras entre música, ruído e narrativa audiovisual. A pesquisa reafirma a pertinência da escuta como ferramenta crítica e propõe o olhar do campo da sonologia para abarcar formas sonoras não convencionais, reforçando o diálogo entre som, imagem e experiência estética no cinema.