Música procedural e cognição dinâmica nos videogames
limites dos sistemas composicionais e caminhos para uma integração significativa
Keywords:
Composição Musical, Videogame, Cognição dinâmica, Música proceduralAbstract
A maioria das músicas em jogos digitais ainda opera com base em modelos composicionais sustentados por estruturas pré-definidas. Este artigo investiga os desafios e possibilidades da composição musical nesse contexto, a partir do seguinte questionamento: como conceber construções musicais capazes de se integrar aos sistemas dinâmicos e abertos dos jogos? Inicialmente, discutimos as limitações de uma abordagem estruturalista da escuta em ambientes interativos, com base em Lerdahl e Jackendoff (1983) e Lerdahl (1992). Em seguida, recorremos a Clarke (2005), Leman (2008), Oliveira (2014) e Grasso (2020), para explorar contribuições do paradigma dinâmico da cognição à escuta e à criação musical como processos incorporados e situados. A partir da taxonomia e do levantamento de sistemas generativos apresentado por Plut e Pasquier (2020), realizamos uma análise crítica de abordagens procedurais em nível composicional, apontando limitações recorrentes e possíveis caminhos futuros. Argumentamos, por fim, que experiências sonoras mais significativas dependem não apenas de avanços técnicos, mas de abordagens interdisciplinares que integrem música, cognição e as dinâmicas interativas de cada jogo.