Tribo carnavalesca Comanches: ressonâncias de uma resistência afro-indígena no carnaval gaúcho
Keywords:
Tribos carnavalescas, Tribo carnavalesca Comanches, Resistência cultural, Carnaval de Porto Alegre, Cultura gaúchaAbstract
As Tribos Carnavalescas constituem expressivas manifestações culturais do Carnaval de Porto Alegre, revelando, em sua tessitura simbólica e performativa, traços de uma complexa e pouco visibilizada relação afro-indígena no contexto urbano do sul do Brasil. Desde sua emergência no cenário carnavalesco porto-alegrense, ao longo do século XX, 17 Tribos foram formadas, das quais apenas a Tribo Carnavalesca Comanches permanece em atividade. Este trabalho tem por objetivo investigar, por meio de uma densa etnografia realizada entre os anos de 2022 e 2024, os modos de existência e resistência dessa única Tribo em atividade, inserida em um contexto marcado por processos históricos de marginalização, gentrificação e apagamento das expressões culturais negras. A partir de imersões em campo, entrevistas, análise de performances e articulações comunitárias, são discutidos os mecanismos socioculturais de resistência mobilizados pela Tribo Comanches, além de suas dinâmicas organizacionais e categorias nativas. A investigação também problematiza a relação afro-indígena no âmbito das Tribos, a partir de perspectivas transétnicas, interculturais e sonoro-performativas, destacando as ressonâncias históricas, geográficas e identitárias desse fenômeno. Os resultados apontam para a urgência do reconhecimento das Tribos Carnavalescas como patrimônio imaterial, evidenciando sua relevância enquanto espaço de afirmação identitária, assim como a própria resistência cultural promovida pela Tribo, diante das transformações sociais que atravessam o campo da cultura popular brasileira, especialmente no contexto gaúcho.