Para além da escuta auditiva
práticas musicais inclusivas com pessoas surdas
Keywords:
Surdez, Inclusão musical, Instrumentos digitais, Percepção tátil, Música e surdezAbstract
Este trabalho investiga estratégias para ampliar a participação de pessoas surdas em práticas musicais inclusivas, por meio da criação e performance com instrumentos digitais adaptados, que articulam estímulos táteis, visuais e sonoros. A pesquisa foi desenvolvida em parceria com um coletivo da comunidade surda atuante na cena cultural de Belo Horizonte (MG), e teve como objetivo promover experiências musicais inclusivas, explorando possibilidades expressivas para além da escuta auditiva.
A metodologia adotada envolveu três encontros presenciais com participantes surdos e ouvintes, nos quais foram realizadas dinâmicas musicais com diferentes configurações de retorno vibratório e visual. Entre os recursos utilizados, destacam-se: uma plataforma de feedback tátil, um sintetizador estruturado em três seções (pulsação, ritmo e melodia), uma bateria eletrônica instalada em tablet, refletores de LED e a adaptação de um instrumento digital comercial. A pesquisa baseou-se nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (CAST, 2011), na noção de comunidade surda ampliada (STROBEL, 2008) e em estudos sobre percepção visual e tátil.
Os resultados indicam uma valorização sensorial da música centrada em atributos como intensidade, pulsação e densidade sonora, com destaque para frequências graves mais perceptíveis ao tato. Observou-se também o papel fundamental do envolvimento coletivo na construção de experiências expressivas.
Conclui-se que as estratégias adotadas contribuíram para práticas musicais mais inclusivas, reconhecendo a potência estética de outras formas de escuta e propondo caminhos que valorizam a diversidade sensorial no fazer musical.