As matrizes do forró a partir de sua fonografia
um olhar etnográfico sobre a discotecagem de vinil nos festivais de forró da Europa
Keywords:
Forró, DJ, Festival, Arquivos de som, Patrimônio Cultural ImaterialAbstract
Ao longo das últimas duas décadas, o forró tem se consolidado como uma prática performativa de alcance transnacional. Fora do Brasil, a partir das perspectivas de brasileiros migrantes e nativos de países diversos, essa prática passa por uma série de transformações estéticas e simbólicas. Especialmente em países da Europa Ocidental, destaca-se a prática do forró tradicional através de encontros regulares de dança e da organização de festivais anuais. A performance artística das matrizes do forró está presente de diversas formas nos festivais, dentre elas, na discotecagem de vinil. Neste trabalho, pretendo discutir o papel da discotecagem de vinil nos festivais de forró na Europa como elemento de construção discursiva sobre as matrizes do forró. A minha investigação está fundamentada em um trabalho de campo multi-situado (Porto, Lisboa e Berlim), onde realizei etnografia performativa. Argumento que os DJs de vinil são importantes atores na salvaguarda das matrizes do forró, desfragmentando parte do arquivo fonográfico forrozeiro e revitalizando-o através da performance. Discuto, ainda, as particularidades do perfil desses DJs, como posição socioeconômica privilegiada e predominância de sudestinos. Proponho que essas são condições fundamentais da produção de um discurso sobre o forró, que tem como aspectos centrais: a base na fonografia, uma perspectiva de outsider em relação à cultura nordestina, a subordinação à dinâmica de baile e a busca pela autenticidade.
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