A Ausência como Sintoma

Os excertos do repertório brasileiro para oboé frente à hegemonia do cânone nas audições orquestrais (2012-2026)

Authors

  • Joel Gisiger Universidade de São Paulo
  • Fábio Cury USP

Abstract

Este artigo apresenta os resultados parciais de uma pesquisa dedicada à sistematização de excertos orquestrais brasileiros para oboé e à proposição de uma metodologia para sua performance. O estudo parte de um paradoxo fundamental: a inegável utilidade técnica e cultural dessa literatura frente à sua completa ausência nos processos seletivos e programações das sinfônicas nacionais. Metodologicamente, a investigação expande o levantamento de Vicenssuto (2023), analisando os editais de audições orquestrais no Brasil entre 2012 e 2026, confirmando a hegemonia do cânone europeu. A fundamentação teórica ancora-se nos estudos de William Weber (1999, 2011) sobre a formação do cânone, nas perspectivas decoloniais de Luis Ricardo Queiroz (2020) e Luciana Ballestrin (2013) sobre o "epistemicídio musical", e na crítica ao "falso universalismo" musical de Marta Castello Branco (2024). A análise evidencia que a exclusão do repertório brasileiro não é um fato isolado, mas sintoma de uma colonialidade arraigada que molda as orquestras brasileiras segundo padrões do Norte Global. Conclui-se pela urgência de um giro decolonial que integre a música brasileira como objeto epistêmico legítimo na formação e na prática profissional.

Oboé; Excertos orquestrais; Música brasileira; Cânone musical; Decolonialidade.

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Published

2026-10-21

How to Cite

Gisiger, J., & Cury, F. (2026). A Ausência como Sintoma: Os excertos do repertório brasileiro para oboé frente à hegemonia do cânone nas audições orquestrais (2012-2026). ANPPOM. Retrieved from https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/674

Conference Proceedings Volume

Section

SA-5. Performance Musical

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