A Contribuição da similaridade interpretativa entre músicos para a sincronização na performance em conjunto
Abstract
Desde os estudos de Seashore (1938), a pesquisa empírica da performance musical tem evidenciado a consistência nos desvios temporais que músicos introduzem em repetidas execuções de um trecho musical. Shaffer (1981) propôs conceitos de programação motora para explicar como músicos produzem escalas de tempo elasticamente deformadas em resposta às suas intenções expressivas. Repp (1992) evidenciou padrões individuais de desvios temporais comparando interpretações de uma mesma obra executada por pianistas famosos. Perfis individuais de variação temporal produzidos por músicos podem ser reconhecidos como um estilo ou uma "assinatura", permitindo que músicos sejam identificados por suas performances. Tal como em execuções solo, músicos, quando tocam em conjunto, também comunicam suas intenções expressivas por meio destas variações, mas com a necessidade de coordenar sua própria interpretação com as diferentes concepções de cada membro do grupo. Keller (2007) mostrou que músicos tocando em duetos alcançam ajustes temporais mais significativos ao acompanharem gravações de suas próprias performances. Em estudos anteriores (XXX) revelamos padrões individuais de sincronização temporal dos participantes de duos para ajustar suas performances às dos outros tanto como seguidor quanto como líder do duo. Este estudo buscou verificar se estes padrões dependeriam do grau de semelhança dos estilos de interpretação entre os membros do grupo. Examinamos os padrões de sincronização temporal observados em performances de duos, comparando os perfis de variação temporal medida nota a nota, produzidos por cada integrante, em execuções solo da mesma música. Evidenciamos a existência de diferentes graus de similaridade destes perfis e a contribuição dessa similaridade na sincronia global do grupo.