A emergência do tempo musical na relação sujeito-obra
Keywords:
Tempo musical, Obra musical, Sujeito, Subjetividade, Representação intrínsecaAbstract
Este artigo discute a emergência do tempo musical a partir da relação entre a obra musical e o sujeito. O objetivo é compreender de que maneira a organização temporal da obra e a subjetividade do ouvinte contribuem para a constituição do tempo musical enquanto experiência vivida. O estudo articula reflexões sobre duração, virtualidade, representação intrínseca e subjetividade, a partir das contribuições de Henri Bergson, Susanne Langer, Jonathan D. Kramer, Carole Gubernikoff, Gilles Deleuze, Maurice Merleau-Ponty, Michel Foucault e Ralph P. Locke. A reflexão indica que a representação intrínseca (Gubernikoff, 1992) organiza virtualmente as condições de possibilidade do tempo musical, orientando os modos pelos quais determinadas temporalidades emergem do fenômeno sonoro, sendo que tais potencialidades somente se atualizariam na escuta, isto é, na percepção de um sujeito historicamente constituído e atravessado por diferentes processos de subjetivação. Concluímos que o tempo musical não constitui um fenômeno exclusivo da obra nem da subjetividade, mas um acontecimento que emerge da relação sujeito-obra. Diferentes temporalidades decorrem tanto das características imanentes da obra quanto dos diversos modos de escuta.
Downloads
References
ABBAGNANO, Nicola. Tempo. In: ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 945.
ARISTOTLE. Physics: books III and IV. Oxford: Clarendon Press, 1983. 224 p.
BERGSON, Henri. O pensamento e o movente: ensaios e conferências. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. 297 p.
CARON, Jean-Pierre Cardoso; FERREIRA, Matheus Henrique Mota. Entre prismas da matéria sonora e os cromismos da forma temporal: a filosofia da música de Carole Gubernikoff. Artefilosofia, Ouro Preto, n. 32, p. 15-39, maio 2022.
DELEUZE, Gilles. Foucault. 1. ed. São Paulo: Brasiliense, 1988. 143 p.
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1981-1982). 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. 680 p.
GUBERNIKOFF, Carole. Música e representação: das durações aos tempos. Rio de Janeiro, 1992. 287 p. Tese (Doutorado em Comunicação). Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1992.
KRAMER, Jonathan D. The Time of Music: New Meanings, New Temporalities, New Listening Strategies. London: Schirmer Books, 1988. 493 p.
LANGER, Susanne K. Sentimento e forma. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2020. 439 p.
LOCKE, Ralph P. Musicologia e/como preocupação social: imaginando o musicólogo relevante. Per Musi, Belo Horizonte, n. 32, p. 8-52, 2015.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas. São Paulo: Boitempo, 2007. 615 p.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 662 p.
ZOURABICHVILI, François. O vocabulário de Deleuze. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004. 66 p.