Pedagogia vocal e feminismos
análises e discussões para o ensino dos cantos populares do Brasil
Palabras clave:
pedagogia vocal, feminismo, canto popular, educação musicalResumen
O presente trabalho busca compreender como determinadas dinâmicas de opressão de gênero podem atravessar práticas de ensino vocal, particularmente em contextos ligados ao canto na música brasileira popular (Ulhôa, 1999). O objetivo é identificar mecanismos de silenciamento e normatização presentes nas práticas pedagógicas vocais, bem como propor estratégias que favoreçam uma educação vocal comprometida com a agenda feminista decolonial. A pesquisa se fundamenta em um referencial teórico que entrecruza os campos da educação, da educação musical e dos estudos de gênero e sexualidade. São utilizadas frentes teóricas como feminismo decolonial (Lugones, 2020), pensamento decolonial (Mignolo, 2017) e discussões envolvendo ensino de música como cultura (Queiroz, 2017). Os resultados apontam para a permanência de lógicas patriarcais e coloniais nos modos de ensinar e avaliar o canto, privilegiando um ideal vocal normativo, eurocentrado e masculinista. Como conclusão, defendemos a construção de práticas pedagógicas vocais que acolham a pluralidade de vozes e subjetividades, tensionem os padrões hegemônicos e promovam espaços de escuta, criação e resistência nas experiências educativas em música.
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Citas
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