Os intermédios de repertório ligeiro nos espetáculos em benefício nos teatros do Rio de Janeiro entre 1889 e 1893
Palabras clave:
Teatro musicado ligeiro, Repertório músico-teatral de curta duração, Arthur Azevedo, Rio de Janeiro na Primeira RepúblicaResumen
O artigo analisa o repertório dos intermédios em espetáculos em benefício realizados nos teatros do Rio de Janeiro entre 1889 e 1893, no âmbito do teatro musicado ligeiro no início da República. A partir de anúncios e colunas de entretenimento da imprensa periódica, consultados na Hemeroteca Digital Brasileira, investiga-se a natureza dos gêneros músico-teatrais presentes em números de curta duração apresentados entre peças principais. Os resultados indicam a recorrência do uso intermédios como parte desses espetáculos, com predominância de repertório vocal, especialmente cançonetas. Também aparecem lundus, cenas cômicas, monólogos e fragmentos de obras de maior duração, bem como ocorrências pontuais de números instrumentais e de repertório popular urbano. Observa-se também a repetição significativa de títulos e intérpretes. Isso sugere a consolidação de um repertório de amplo apelo público e sua circulação constante no circuito teatral carioca. Em paralelo, observa-se sua função na viabilização econômica dos benefícios. O estudo discute ainda críticas de contemporâneos ao teatro ligeiro, frequentemente associado à repetição e à degradação estética. Destaca-se o monólogo Os intermédios, de Arthur Azevedo, como expressão artística dessa percepção. Conclui-se que os benefícios atuaram como mecanismos relevantes de difusão, circulação e estabilização do repertório músico-teatral popular urbano no Rio de Janeiro do final do século XIX.
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