Os Desafios e Perspectivas de uma Historiografia Musical Angolana
Historiografia Musical Angolana
Palabras clave:
Historiografia Musical, Música angolana, Oralidade, Memória cultural, Colonialidade do saberResumen
Este trabalho analisa os desafios e as perspectivas da historiografia musical angolana, problematizando a fragmentação das fontes primárias e a predominância histórica de um olhar externo eurocêntrico e folclorizante sobre a produção musical local, na qual enquanto docente de história da música em Angola, remete-nos a reflexões na ânsia de desenvolvermos um olhar fora destes preconceitos. Metodologicamente ancorado na crítica à colonialidade da etnomusicologia ocidental de Agawu (2016), e no conceito de silenciamento histórico Trouillot (1995), o estudo propõe uma abordagem que valida a oralidade e os arquivos vivos como matrizes soberanas de conhecimento. Através da história social e do conceito de escuta partilhada Valentim (2022), a pesquisa demonstra como a música, desde as tradições do interior até aos musseques urbanos, operou como um poderoso espaço de resistência sociopolítica e codificação anticolonial. Conclui-se que a superação do viés colonial exige a descategorização das artes africanas e o reconhecimento do protagonismo autóctone, culminando na urgência de uma descolonização curricular que integre a música local no ambiente escolar não apenas como arte, mas como uma ferramenta indispensável de afirmação identitária, ensino de história e soberania cultural em Angola.