Uma obra e seu ouvinte, um ouvinte e sua obra
quais premissas epistemológicas contribuem para a escuta do processo musical?
Palabras clave:
Escuta musical, Cognição musical, Forma MusicalResumen
Delinea-se as premissas epistemológicas que os autores adotam a fim de contribuírem para a indicação das condições formais e cognitivas que permitem a emergência de um regime específico de escuta musical: a escuta do aspecto processual das obras. O objetivo central é explicitar os mecanismos subjetivos e objetivos que tornam possível a percepção de transformações internas à forma musical, entendidas como reformulações de padrões inferidos ao longo da escuta. A pesquisa articula-se em torno de uma abordagem simultaneamente teórica e heurística, na qual análise, escuta e composição operam como instrumentos de investigação e validação das hipóteses propostas. Partindo de uma epistemologia cognitivista de orientação formalista e dialética, o estudo compreende a obra musical como dispositivo capaz de mobilizar operações inferenciais, enquanto a escuta é concebida como atividade de construção e reconstrução de sentido intramusical. Dialogando com Adorno, Meyer, Paddison e Hegel, propõe-se a distinção entre condições subjetivas (estratégias cognitivas do ouvinte) e condições objetivas (configurações formais da obra), cuja interação nos parece constituir o fenômeno do regime de escuta investigado.