Bruxas soltas, feitiçarias, venenos na língua
pistas bixafrodiaspóricas para pensar currículos em música
Palabras clave:
Currículos em música, Pensamento afrodiaspórico, Educação musical, gênero, raça e sexualidadeResumen
Este trabalho discute possibilidades bixafrodiaspóricas para pensar currículos em música comprometidos com a sustentação de existências negras LGBTQIAPN+. Parte da compreensão de que currículos não são estruturas neutras de organização de conteúdos, mas efeitos de linguagem que produzem subjetividades, legitimam conhecimentos e regulam modos de ser, aprender e fazer música. O objetivo é interrogar como racismo e [cis][hetero]normatividade operam de maneira articulada nos currículos, constituindo determinados corpos, repertórios e saberes como ausência, ameaça, excesso, ruído ou desvio. Metodologicamente, o texto assume caráter ensaístico e teórico-conceitual, articulando pensamento afrodiaspórico, crítica Queer of Colour, estudos sobre dissidências de gênero e sexualidade e produções da educação musical. A partir da desorientação exuística, propõe-se a expressão bixafrodiaspórica não como identidade fechada ou tradução direta de queer, mas como posição de enunciação e operação de pensamento situada na encruzilhada entre raça, gênero, sexualidade, classe e diáspora. Como resultado, sustenta-se que não basta incluir repertórios negros ou artistas LGBTQIAPN+ em estruturas inalteradas, é preciso modificar critérios de escuta, autoridade, técnica, conhecimento e humanidade, produzindo currículos capazes de reconhecer alegria, corporalidade, ancestralidade, festa e dissidência como formas de conhecimento musical.