A dialética da influência: a historicidade do conceito em música
Resumen
O presente trabalho analisa a historicidade e as implicações metodológicas do conceito de influência, analisando as transformações na relação dos músicos com a tradição a partir da consolidação da modernidade entre os séculos XVIII e XIX. Pautado pela valorização da originalidade, da autonomia estética da música, do gênio criador e da formação do cânone, a emergência do pensamento romântico transformou o legado histórico de um repertório de práticas compartilhadas em uma instância geradora de ambivalência e tensão artística. Adotando como lente analítica a teoria da Angústia da Influência (1973) de Harold Bloom, o trabalho problematiza as abordagens historiográficas tradicionais que reduzem o fenômeno à mera identificação linear de fontes, empréstimos ou semelhanças intertextuais ou formais. Para tanto, examina-se como os mecanismos de revisionismo criativo e os discursos biográficos operam na negociação com o passado musical, manifestando-se tanto na dimensão da criação quanto na reconfiguração estrutural e da poética (poiésis) das próprias obras. Em suma, este trabalho identifica que a influência musical não constitui uma categoria analítica historicamente estável ou de transmissão passiva, mas sim um campo de disputa simbólica e de revisão criativa (misreading), exigindo um deslocamento metodológico que reconheça as complexas operações de assimilação, distorção e diferenciação estética que moldam a criação musical.
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