O simbólico e a prática do choro em Brasília
enfoque de um processo de reconstrução de identidades
Palabras clave:
Palavras chave: Rodas de Choro; Brasília; Simbólico; Reconstrução de identidadesResumen
Tendo em vista a possibilidade das Rodas de Choro integrarem um processo de reconstrução de identidades em Brasília, uma cidade modernista, resultante de um projeto extremamente racionalizado e funcional, o presente trabalho teve como objetivo investigar esse processo, buscando alguns elementos que o teriam forjado. Considerando as peculiaridades dessa manifestação musical e esse contexto, junto à abordagem teórica (Certeau, 2014; Castoriadis, 2010; Pesavento, 2002), pesquisa bibliográfica, fontes documentais (periódicos e arquivos pessoais) e fontes orais (chorões e/ou familiares de antigos chorões que atuam/atuaram em Brasília), a Roda de Choro pôde ser abordada tendo-se como suporte o simbólico, ou seja, percebida como um ritual (DaMatta,1997) propositor de uma “outra possibilidade de vida” para os migrantes que estranharam a cidade modernista recém construída que vieram ocupar. Como resultado, constatou-se um convívio muito próximo e constante entre migrantes, através da tradição musical carioca que trouxeram na bagagem, que se caracterizava por uma ambiência afetuosa, fraterna, descontraída, regada a comida e bebida. Prática musical que, através da metodologia adotada, pôde ser abordada integrando um processo de reconstrução de identidades, como uma oportunidade que estes migrantes tiveram de alterar as regras impostas pela ordem social e pela arquitetura engessadoras de comportamentos.
Descargas
Citas
CASTORIADIS, Cornelius. A instituição imaginária da sociedade. 3ª ed. São Paulo: Paz e terra, 1995. 418p.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 22ª ed. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 2014. 320p.
DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. 1ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1997. 403p.
HOLSTON, James. A cidade Modernista. – uma crítica de Brasília e sua utopia. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. 362p.
HALL, Stuart. Quem precisa de identidade? In: SILVA, Tomás T. (Org.) Identidade e diferença – a perspectiva dos estudos culturais. 15ª ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 103- 133.
NUNES, Brasilmar. F. Brasília, a fantasia corporificada. Brasília: Ed Paralelo 15, 2004. 178p.
PASTORE, José. Brasília – a cidade e o homem Brasília: Nacional e Ed. da USP, 1969. 164p.
PESAVENTO, Sandra. J. O imaginário da cidade. Visões literárias do urbano. Porto Alegre: Ed. Universidade /UFRGS, 2002. 398 p.
PESAVENTO, Sandra. J. Em busca de uma outra história: imaginando o imaginário. In: Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 15, n, 29, 1995. P. 9-27
PINTO, Alexandre G. O Choro – Reminiscências dos chorões antigos. Rio de Janeiro: Funarte, 1978. Edição Fac-similar. 279 p.
POLLAK, Michel. Memória e Identidade Social. In: Estudos históricos: Rio de Janeiro, vol. 5, n.10, 1992, p 200-212.
SILVA, Tomás T. (Org.) A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, Tomás T. (Org.) Identidade e diferença – a perspectiva dos estudos culturais. 15ª ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 73-102.
SOUSA, A. Um pouco de história – Odette Ernest Dias, uma brasileira com sotaque francês. Música em Brasília. In: Informativo da Livraria Musimed. Brasília. Ano 1. N. 4. Setembro, 2004.
STORT, Eliana. Cultura, imaginação e conhecimento. São Paulo: Ed. Unicamp, 1993. 148p.
TINHORÃO, José R. História Social da Música Popular Brasileira. 2ª ed. São Paulo Ed. 34, 2010. 368p.