Corpo, som e movimento
Expressividade e linguagem musical na Banda Mantiqueira
Palabras clave:
Corporeidade, Banda Mantiqueira, Música instrumental brasileiraResumen
Este artigo propõe uma reflexão sobre o papel do corpo na performance musical, tomando como ponto de partida a experiência autoetnográfica do autor junto à Banda Mantiqueira. São examinadas práticas musicais que se constroem para além da racionalidade e da escrita, mobilizando saberes inscritos no corpo. O estudo questiona os paradigmas do ensino musical ocidental, que frequentemente relegam o corpo a uma função mecanicista, e propõe um olhar para a corporeidade como forma legítima de conhecimento. Por meio da análise de performances, entrevistas com músicos e revisão teórica fundamentada em autores como Muniz Sodré, Diana Taylor e Leda Maria Martins, investiga-se de que maneira o “sotaque musical” do grupo, construído a partir de parâmetros rítmicos, nasce do corpo como construção coletiva e sensível, sustentada por escutas encarnadas e “micropensamentos” corporais. A performance, entendida como espaço epistêmico, emerge aqui como lugar de reinvenção e transmissão de saberes. O corpo não apenas executa: ele sente, pensa e comunica.