Sarabanda do meu jeito

desafios técnico-interpretativos da obra de Mignone para quatro fagotes

Autores/as

  • Ricardo Aurélio de oliveira USP
  • Catherine Carignan Universidade de São Paulo
  • Fábio Cury Universidade de São Paulo
  • Romeu Rabelo Universidade de São Paulo

Resumen

A obra objeto de estudo desta comunicação, o quarteto para fagotes Sarabanda do meu jeito, de Francisco Mignone é uma peça de caráter contemplativo e que tem como principal dificuldade técnica sua escrita em bloco para o conjunto, de forma contínua e de duração relativamente longa devido ao andamento lento característico da sarabanda, conferindo desafios latentes de resistência da embocadura e sonoridade para o grupo (Carneiro, 2021). Em especial, para a primeira voz do quarteto é somada a dificuldade do uso por Mignone da região agudíssima do fagote, principalmente ao fim da obra, devido à fadiga da embocadura. Ademais, o relato está baseado nos preceitos da pesquisa artística de López-Cano (2024) e López-Cano&Opazo (2014), utilizando os conceitos de interação e retroalimentação, auto inventário e de rememoração estimulada por gravação de vídeo, que neste caso tem como referência nossas  gravações das últimas apresentações do Quarteto de Fagotes da XXXX. Sendo assim, descrevemos a dinâmica de ensaio envolvendo a observação do material editado contraposto ao manuscrito original disponível na edição crítica. Posto isto, relato as principais dificuldades e sugiro estratégias na preparação da performance deste quarteto.

 

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Catherine Carignan, Universidade de São Paulo

Professora de fagote e de música de câmara na EMESP Tom Jobim em São Paulo desde março de 2023, Catherine Carignan foi primeira fagotista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais de 2008 a 2020. Desenvolve intensa atividade como freelancer em orquestras da grande São Paulo e é professora convidada em diversas instituições e festivais, dentre os quais o Neojiba (Bahia), o Instituto Ciranda Mundo (Mato Grosso), o Civebra (Distrito Federal) e a Oficina de música de Curitiba (Paraná). Paralelamente às suas atividades musicais, trabalha com tradução e redação de notas de programa para orquestras brasileiras. Formou-se Bacharel em música no Conservatório de música de Montreal, no Canadá, em 2007, depois de obter um Certificado em tradução da Universidade de Montreal em 2006. Concluiu o mestrado profissional em performance musical na Universidade Federal da Bahia em 2023 e atualmente é doutoranda em performance musical na Escola de Comunicações e Artes da USP.

Fábio Cury, Universidade de São Paulo

O fagote é tradicionalmente um instrumento de orquestra. Contudo, alguns fagotistas são vistos com alguma frequência atuando como solistas. Entre os brasileiros, certamente, Fábio Cury se destaca como um dos mais atuantes.A inclinação para essa atividade, se não nasceu em seu período de estudos na classe de solistas da Escola Superior de Teatro e Música de Hannover, foi indubitavelmente estimulada pela convivência com o Prof. Klaus Thunemann, um dos mais conhecidos solistas de fagote de todos os tempos, com quem estudou de 1992 a 1994. Foi nesse período, em 93, que venceu o Concurso para Fagotistas da Escola Superior de Teatro e Música de Hannover.Todavia, ainda antes de ter residido na Alemanha, na condição de bolsista do DAAD, ou mesmo de ter concluído o seu Bacharelado na UNICAMP, sob a orientação do Prof. Paulo Justi, Fábio, que iniciou os estudos de fagote aos 11 anos, já havia atuado como solista da OSESP, da Orquestra Experimental de Repertório, da Orquestra Sinfônica de Campinas e da Orquestra Sinfônica da UNICAMP entre outras, tendo vencido vários dos Concursos para Jovens Solistas dessas instituições. De volta ao Brasil, em 95, obteve ainda o 3. lugar no Prêmio Eldorado de Música. A atuação de Fábio Cury tem sido marcada, acima de tudo, pelo ecletismo. Vai da música orquestral à atividade acadêmica; da performance com instrumentos de época à música contemporânea. Colaborou, na condição de convidado ou de integrante regular, como fagotista solista das principais orquestras brasileiras, tais como a OSESP, a OSB, a Filarmônica de Minas Gerais e a Orquestra Municipal de São Paulo, entre outras. Mestre em Artes pela UNICAMP, Doutor em Música pela USP e Livre Docente pela USP. Foi professor de fagote da Faculdade Cantareira, da Escola de Música do Estado de São Paulo, da Escola Municipal de Música de São Paulo e do Conservatório Dramático-Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí. É professor de fagote do CMU-USP desde 2002.Foi membro fundador da Camerata Aberta, grupo totalmente dedicado ao repertório de nossos dias, com o qual recebeu o Prêmio APCA de melhor ensemble de música contemporânea, em 2010, e o Prêmio Bravo de melhor CD de música erudita, em 2011.Sua produção fonográfica inclui registros de música de câmara para os selos Paulus, Brasil Meta Cultura, Lindoro (Espanha) e Meridian (Inglaterra). Seu CD Velhas e novas cirandas: música brasileira para fagote e orquestra, lançado pelo selo Clássicos, recebeu o prêmio APCA de melhor disco de 2010. O álbum Fábio Cury e Alessandro Santoro interpretam Bach, de 2013, marca seu primeiro registro com um fagote de época. Em 2014, lançou pelo selo SESC o CD Mignone por Fábio Cury - 16 Valsas para fagote solo. O CD Santoro Inédito, de 2016, é dedicado a obras de Claudio Santoro e inclui a Sonatina para Fagote e Cravo, de Carlos dos Santos. Em 2018, lançou o CD Quinteto Zephyros, do grupo de mesmo nome, que traz obras americanas do século XX e XXI, entre elas o Quinteto em Forma, de Villa-Lobos, e o Telluris Canyon, peça especialmente encomendada da Alexandre Lunsqui. Sua atividade multifacetada e a especial atenção que concede à música brasileira credenciaram-no como presença marcante não só em praticamente todos os festivais de música, séries de música de câmara como também à frente das mais prestigiosas orquestras brasileiras. Da mesma forma, já atuou como intérprete, professor e palestrante em eventos na Argentina, Panamá, Colômbia, Chile, Uruguai, Canadá, Estados Unidos, França, Bélgica, Eslovênia, Inglaterra, Portugal, Espanha, Dinamarca, Suécia, China e Japão entre outros países.Fábio Cury foi Diretor da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo, OSUSP, de 2018 a 2022.

Romeu Rabelo, Universidade de São Paulo

Doutorando em Música (Processos de Criação Musical) pela Universidade de São Paulo, Mestre em Música (Performance Musical) pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011), Graduado em Fagote pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007). Fagotista e contrafagotista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo desde 2012. Desde 2011 trabalha com editoração de partituras no Projeto Lorenzo Fernândez Digital e a partir do ano de 2014 coordena, juntamente com Simonne Fonseca, o Projeto de Reedição do Acervo da Orquestra Ribeiro Bastos.

 

Citas

CURY, Fábio. O legado de francês Noël Devos: características idiomáticas do fagote francês na obra de Francisco Mignone. CONGRESSO DA ANPPOM, 34, 2024, Salvador. Anais do

XXXIV Congresso da ANPPOM. Disponível em:

https://anppom.org.br/anais/anaiscongresso_anppom_2024/papers/2330/public/2330-10943-1- PB.pdf. Acesso em: 25/07/25.

KLEIN, Julian: Was ist künstlerische Forschung? In: kunsttexte.de/Auditive Perspektiven Nr. 2, 2011. Disponível em: https://edoc.huberlin.de/handle/18452/7501. Acesso em: 15/07/25

LÓPEZ-CANO, Rúbens; OPAZO, Úrsula San Cristóbal. Investigaión artística en música: problemas, métodos, experiencias y modelos. Barcelona: Escola Superior de Música de Catalunya, 2014.

LÓPEZ-CANO, Rúben. Quién soy como artista?: poniendo en práctica la investigación artística formativa en música. Madrid: Universidade Complutense, 2024.

MIGNONE, Francisco. Seis quartetos, para fagotes, edição crítica por Raquel Carneiro e Aloysio Fagerlande. São Paulo: Tipografia Musical, 2022. Partitura. 136p.

SILVA,Flávio.Academia Brasileira de Música, 2016. Disponível em: https://abmusica.org.br/wp-content/uploads/2021/04/francisco-_mignone.pdf. Acesso em: 25/07/25

Publicado

2026-04-18

Cómo citar

de oliveira, R. A., Carignan, C., Cury, F., & Rabelo, R. (2026). Sarabanda do meu jeito: desafios técnico-interpretativos da obra de Mignone para quatro fagotes. ANPPOM. Recuperado a partir de https://eventos.anppom.org.br/congresso/article/view/271

Número

Sección

ST 04 - Práticas em Pesquisa Artística: metodologias, epistemes e poéticas

Categorías