Compor mundos: hibridação, apropriação e reflexões em busca de um fazer dialógico
Palabras clave:
Composicionalidade, Hibridação, Identidade, Simbolismo, ApropriaçãoResumen
Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre os desafios éticos e estéticos da criação musical brasileira contemporânea, especialmente frente às heranças do nacionalismo e do modernismo. Partindo da noção de que o ato compositivo carrega dimensões simbólicas complexas, o autor se debruça sobre a questão de como dialogar com saberes populares e culturas tradicionais sem incorrer em apropriação cultural, folclorização ou espetacularização. O texto tem como objetivo problematizar as práticas composicionais que buscam representar uma suposta identidade nacional e refletir sobre as assimetrias de poder envolvidas nas trocas culturais. Como base teórico-metodológica, utiliza-se o conceito de composicionalidade de Paulo Lima — com seus vetores de invenção de mundos, criticidade, prática e teoria, reciprocidade e campo de escolhas —, além de autores como Rios Filho, Carvalho, William e Piedade, que discutem hibridação, alteridade e apropriação cultural. Os resultados da investigação apontam para a necessidade de uma postura ética e dialógica na composição, que vá além da simples citação de elementos musicais e busque a invenção genuína de novos mundos sonoros a partir de encontros simbólicos e transformadores. Conclui-se que compor hoje exige consciência crítica sobre os processos de representação e pertencimento, e que a criação musical pode ser um espaço de resistência, diálogo e transformação mútua entre culturas.
A pesquisa não busca respostas definitivas, mas oferece perspectivas para um fazer composicional engajado com as complexidades identitárias e simbólicas da contemporaneidade brasileira.