Conservação e inovação no frevo
Harmonia modal e experimentação composicional
Palabras clave:
Frevo, Nelson Ferreira, Harmonia musical, Composição musical, Análise musicalResumen
O presente artigo apresenta uma reflexão sobre a relação entre conservação e inovação no frevo, a partir da experimentação composicional com harmonia modal. O trabalho tem como objetivo discutir de que forma os modos dórico e mixolídio podem ser utilizados como bases efetivas para a construção harmônica no gênero, ampliando seu vocabulário sem descaracterizar seus traços idiomáticos. Como fundamentação teórica, são mobilizados os conceitos de altura característica, acordes primários e secundários em Persichetti (1961), além da abordagem sobre funções harmônicas modais proposta por Kühn e Gentil-Nunes (2025). Metodologicamente, o estudo articula análise musical e processo composicional, aproximando-se da proposta de Jan LaRue (1992), especialmente pela observação dos aspectos melódicos, harmônicos, rítmicos e orquestrais da obra analisada. Toma-se como referência o frevo Esquenta Mulher, de Nelson Ferreira (1982), cuja organização formal, escrita orquestral e relação intertextual com o baião serviram de base para a criação do Frevo Nº 3. A análise permitiu observar procedimentos recorrentes do frevo instrumental, como o diálogo entre metais e madeiras, o uso de semínimas deslocadas e a alternância entre materiais escalares e arpejados. Como resultado, o Frevo Nº 3 foi concebido a partir da preservação desses traços idiomáticos, articulando a seção A em modo dórico, a seção B em modo mixolídio e uma passagem de ponte derivada da reelaboração formal e rítmica de Esquenta Mulher. Conclui-se que a tradição do frevo pode funcionar como campo fértil para experimentações harmônicas, preservando sua reconhecibilidade e expandindo suas possibilidades sonoras.