Ficções criativas em Música Ricercata de György Ligeti
Palabras clave:
György Ligeti, Música Ricercata, ficções criativas, forma musicalResumen
Este artigo investiga o papel das ficções criativas na estruturação de Música Ricercata (1951–1953) de György Ligeti, tomando como ponto de partida o impulso cartesiano do compositor de recomeçar a composição "a partir do zero". A partir de referenciais teóricos como a filosofia do "como se" de Vaihinger, a criação de mundos de Nelson Goodman, a desconstrução de Derrida e a teoria simbólica de Cassirer, o artigo argumenta que o plano composicional da obra, baseado na introdução progressiva das doze alturas ao longo de onze movimentos, funciona não como um sistema rigoroso a ser verificado, mas como uma ficção operativa que impulsiona a criação. Analisa-se como Ligeti mobiliza estruturas simétricas, paradoxos matemáticos e referências ao infinito, como ferramentas intuitivas e elásticas, e não como fundamentos científicos. Conclui-se que, em Ligeti, forma e conteúdo são indissociáveis: as ficções teóricas não representam a música, mas a constituem, gerando obras em permanente tensão entre o finito e o ilimitado.