José Maria Neves e a redefinição do repertório da Orquestra Ribeiro Bastos
o caso das Partes Variáveis
Palabras clave:
Orquestra Ribeiro Bastos, Jo´se Maria Neves, Música sacra mineira, Partes Variáveis, Antônio dos Santos CunhaResumen
A Orquestra Ribeiro Bastos participa das cerimônias da Semana Santa de São João del-Rei desde meados do século XIX, mantendo uma prática musical caracterizada pela continuidade de determinados repertórios e pela adaptação às exigências litúrgicas. Este trabalho analisa a atuação de José Maria Neves na redefinição do repertório da corporação musical a partir de 1977, quando, ao lado da maestrina Maria Stella Neves Valle, assumiu a direção do grupo. Como bases teórico-metodológicas, são utilizados textos e depoimentos do próprio José Maria Neves, artigos de Aluízio Viegas sobre a música sacra mineira e de Fernando Lacerda Duarte sobre as transformações da música litúrgica católica no Brasil. Também são considerados dados provenientes de levantamento anterior dos Programas da Semana Santa e das fontes musicográficas da instituição. Os resultados indicam que, a partir da década de 1960, obras de compositores brasileiros, especialmente mineiros e locais, passaram a ser executadas; todavia, foi a partir de 1979 que obras de compositores estrangeiros foram intencionalmente substituídas por obras de compositores brasileiros. Entre as consequências dessa redefinição de repertório destaca-se a formação do conjunto denominado Partes Variáveis, composto por dezessete obras, das quais onze foram compostas por Antonio dos Santos Cunha. Em nove dessas obras, José Maria Neves realizou adaptações textuais e/ou estruturais para adequá-las a novas funções litúrgicas. Conclui-se que a atuação dos irmãos Neves favoreceu a valorização de compositores brasileiros e a incorporação de obras anteriormente ausentes da prática musical corrente.