Penumbrismo na Seresta nº 8 de Heitor Villa-Lobos:
relações poético-musicais em Canção do Carreiro
Palabras clave:
Canção de câmara; Heitor Villa-Lobos; Ribeiro Couto; prosódia cantada; pesquisa artística.Resumen
Este estudo propões uma abordagem interpretativa da Seresta nº 8 (Canção do carreiro), de Heitor Villa-Lobos, a partir do poema de Ribeiro Couto, sob a perspectiva do cantor-intérprete. Apoia-se em conceitos da pesquisa artística, desenvolvidos por Borgdorff (2012), Fortin e Gosselin (2014) e López-Cano e Opazo (2014), enfatizando a prática como base para a investigação reflexiva dos processos interpretativos, analíticos e contextuais. A primeira parte apresenta breves considerações sobre o poema e sua gênese, enquanto a segunda, examina sua estrutura a fim de fundamentar a interpretação da canção sob a perspectiva do cantor-pesquisador. Integram-se análise musical, leitura poética e prática vocal, tendo a prosódia cantada como eixo central. O estudo explora como elementos prosódico-verbais e musicais estabelecem relações de aderência e tensão entre palavra e música, orientando decisões de dicção, emissão e fraseado. A transcrição fonética é utilizada como ferramenta analítica para evidenciar a dimensão material da linguagem na performance. Os resultados ressaltam a centralidade da relação poético-musical na conformação da estrutura sonora da obra e destacam o papel do artista-pesquisador na ampliação de múltiplas perspectivas sobre seu arcabouço estilístico e conceitual, contribuindo para os estudos da performance vocal no âmbito da canção de concerto brasileira.