Gradações de luminosidade em duas obras para violoncelo solo de Kaija Saariaho
Palabras clave:
Timbre, Metáforas, Luminosidade, Kaija Saariaho, Análise EspectralResumen
Este trabalho investiga a poética de luz e sombras nas obras Sept Papillons (2000) e Petals (1988) para violoncelo solo de Kaija Saariaho. Propõe-se que as técnicas instrumentais atuam como catalisadores imagéticos e estruturais, transformando metáforas luminosas em ferramentas de condução do discurso musical através de um jogo dialético de chiaroscuro. Metodologicamente, a pesquisa articula a teoria da orquestração, a psicoacústica e a análise musical, validando as discussões por meio de análises espectrais realizadas no software Sonic Visualizer. O arcabouço teórico examina a recorrência de descritores semânticos visuais no léxico de tratados de orquestração (Read, 2004; Sevsay, 2013; Wallmark, 2019), além de correlacionar a percepção de brilho e escuridão a variações da energia espectral e a parâmetros acústicos independentes da frequência fundamental. As análises das obras demonstram que a manipulação de pontos de contato do arco (transições entre sul tasto, posição normal e sul ponticello), aliada a dinâmicas, articulações e registros, conduzem a percepção do timbre. Os resultados evidenciam que as transformações tímbricas geram tanto transições graduais (análogas ao conceito pictórico de esfumado) quanto irrupções acústicas súbitas (análogas à mancha). Conclui-se que o pensamento composicional de Saariaho possui um lastro intermodal duradouro, no qual o timbre e a técnica instrumental não figuram como meros ornamentos, mas constituem a própria substância estruturante da experiência de sua música.