Antes da indústria cultural
reprodução sonora e condições históricas da escuta regressiva
Palabras clave:
Indústria cultural, Escuta regressiva, Reprodução sonora, Mediação cultural, Estética musicalResumen
Este artigo investiga transformações sociais, sonoras e técnicas que reorganizaram as práticas de escuta musical entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. O objetivo é compreender como urbanização, disciplina do tempo industrial, alteração da paisagem sonora e reprodução técnica do som criaram condições históricas para formas de audição posteriormente exploradas pela indústria cultural. A pesquisa é bibliográfica e teórico-interpretativa, articulando Benjamin, Adorno, Sterne, Schafer e Martín-Barbero para analisar reprodução sonora, mercantilização, mediação cultural e práticas de escuta. Os resultados indicam que fonógrafo, disco e rádio não determinaram mecanicamente a regressão da escuta, mas reorganizaram a circulação musical e favoreceram novas relações entre música, mercado e percepção. Também se observa que Schoenberg e Bartók responderam à crise da escuta por caminhos distintos, reorganizando a linguagem musical e seus modos de recepção. Conclui-se que a escuta moderna deve ser entendida como prática historicamente mediada, atravessada pela técnica e pelo mercado, mas não determinada exclusivamente por eles.